domingo, 10 de julho de 2011

Argumento

Bom, obviamente abandonei o blog de novo. Enfim, pra manter ele meio vivo, aqui vai um textinho que achei entre as minhas coisas. Não parece muito bom, mas também não parece muito ruim. idéia era desenvolver um conto a partir disso, mas me falta paciência e, por que não dizer, talento.

ASPARGOS E FILMES


Um filme começa muito antes de ser efetivamente produzido. É curioso pensar no momento exato da concepção da idéia. Um cara, num apartamento qualquer em alguma área nobre da cidade está picando aspargos para uma sopa e, de repente, aquela faísca de luz, aquela idéia disforme, aquele espermatozóide pula para fora do saco escrotal e cai direto na zona vaginal onde corre absurdamente rápido e, bam!, atinge o óvulo e ali nasce alguma coisa. A faca faz um corte leve no dedo do cara, mas nada disso importa, ele larga o aspargo e corre pra um bloco de papel, anota alguma coisa, um pouquinho de sangue pinga na folha enquanto escreve, mas a idéia está ali, registrada. O que fazer com aquilo? Ele larga o bloco em cima de um aparador, onde estão guardados os pratos da sopa e volta para os aspargos, não sem antes dar uma lavadinha naquele corte, e segue com a sua vida e a sua sopa, imaginando que talvez mais detalhes venham a surgir mais tarde, quando parar pra analisar aquela anotação enevoada.

É, é algo em que se possa passar dias pensando, porque a maioria dos roteiristas, diretores e produtores não sabe afirmar com certeza, depois, de onde surgiu a idéia, porque ela toma sua forma física, vira um filme mesmo, somente alguns anos depois. Até lá, a sopa de aspargos já esfriou, estragou, criou fungos e atraiu toda a sorte de insetos e bactérias e vermes famintos. Não, poucos se recordam do momento exato da concepção. Mas muitos se recordam daquele coquetel, naquele lançamento, onde encontraram o produtor, ou o roteirista, ou o diretor para quem contaram a idéia. O momento onde a energia começou a fluir em direção à realização. Quando duas pessoas decidem se encontrar na semana seguinte para iniciar os primeiros passos do tortuoso calvário que é fazer cinema no Brasil.

Cecília nunca tomou parte desses detalhes da empreitada. Sempre se manteve um tanto quanto alheia ao sentimento que seus colegas nutriam sobre os filmes nos quais trabalhavam. Certamente uma faísca que faltava à sua carreira, mas que nunca, necessariamente, a tinha incomodado ou atrapalhado. Era apenas incômodo ter que explicar porque não possuía copias dos trabalhos aos quais já tinha dedicado tantas horas e atenção e – porque não dizer – sanidade, expostos em alguma prateleira no pequeno apartamento, ostentando todo o numero de vezes em que seu nome tinha sido registrado para a eternidade nos créditos dos filmes. A verdade é que ela não se importava. Não tinha certeza do porque se mantinha no ramo, e procurava sempre mais trabalho. Talvez não soubesse fazer outra coisa. Talvez fosse tarde para recomeçar em qualquer área que fosse. Mas, de alguma forma, sentia que se não estivesse ali, estava fora do seu lugar no cosmos. Como uma sopa de aspargos que fica para os vermes.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Overdose Omeletédica


Com essa função de querer cozinhar, aqui em casa todo mundo tem sido um pouco cobaia - porque eu como qualquer coisa que eu faça, né, não vou colocar fora, tá louco, então não sei dizer se tá bom ou sofrível. As reações são as mais diversas, logo logo eu começo a criar coragem pra registrar em fotos as minhas aventuras. Mas right now elas não são nada bonitas de se ver.

Enfim, às vezes eu não tenho paciência pra fazer nada muito complicado (no meu nível de complicado, né, se liguem!), especialmente à noite, quando volto do trabalho. Aí, o que eu faço? Omelete! Sim, já estou ficando expert em omeletes, testando recheios, inventando moda.

A fotinho saiu do Piadarts, achado numa busca rápida no Google.

O porque do post? Hoje eu recebi meu primeiro elogio contundente! Meu primo comeu o tal do omelete e soltou um "Bah!". Eu fiquei nervosa, né, um "bah" pode significar muitas coisas, desde "eu vi um OVNI" até "esses dias eu fiquei preso entre uma bicicleta e um camelo num navio cargueiro que ia para o Alaska". Mas era um "bah" de "bah, tá bom!".

Obrigada, meu priminho querido, pelo momento mais emocionante da minha nova vida de chef. :')

P.S.: obvio que não bati nenhuma foto, mas quando eu fizer de novo posto a foto e a receita. =)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Abraçando a crise

Eu sempre tive problemas com as coisas que eu comia, sabe? Como sou uma pessoa, em geral, mais carente (dizem que cancerianos são assim, será que eu acredito?!), sempre preferi o que eu chamo de “alimentos reconfortantes”: coisas quentes, mais encorpadas, não muito ácidas, nem fortes, algo mais suave. Tipo coisas com creme de leite, chocolate, e tal. Doravante denominadas de “coisas blergh”, pra ajudar mentalmente.


Dexter: uma das aberturas mais salivantes da TV.

Aí, volta e meia eu tinha um surto estou-me-alimentando-mal-socorro-já-me-sinto-doente e corria pro super, comprava umas frutinhas, granola e aveia e voltava pra casa, comia por dois dias só essas coisas, e no terceiro já estava irritada e descompensada, e atolava num Ruffles ou num chocolatão, e esquecia isso tudo. Uma coisa cíclica, que acabou virando deboche da Aline, que toda vez que me via tomar um suco me dizia: “Xii, tá de TPM de novo...”

Passar uns dias na praia perto da Amara, da Carla e do Tijolo (a geração saúde da minha turma de amigos) me fez ter vontade de ser saudável mais uma vez. Só que dessa vez eu me dei conta de uma coisa super importante, que não entrava na minha cabeça antes. E já faz duas semanas que o carnaval passou, e eu ainda estou bem feliz comendo direitinho e achando que, enfim, o mundo não é tão mau assim.

Vou contar.

A moral é que comer é uma coisa que fazemos mais do que qualquer outra coisa no nosso dia-a-dia. E comer coisas blergh, repetidamente, acaba viciando a gente. Não por ser uma droga tipo a nicotina, por exemplo. Mas por se tornar um costume, mesmo que prejudicial. E sair dessa “zona de conforto” – oi, Amara! – causa um transtorno que eu, pelo menos, não queria passar.


E, invariavelmente, eu associava a vida saudável a magreza, dieta e privação. Eu, que já sou uma pessoa ansiosa por natureza, ficava ainda mais ansiosa porque comia pouco, e quando tinha crises de ansiedade, ficava triplamente tensa porque não queria comer por estar ansiosa, e estava ansiosa porque estava sem comer. Deu pra entender?

Então, decidi que dessa vez ia ser diferente. Eu não ia me preocupar com os 15 quilos que eu quero perder, e ia só me preocupar em parar de comer coisas blergh. Era obvio que essa mudança ia me deixar mais ansiosa. E era obvio que eu ia querer comer nessas crises. O que eu fiz de diferente dessa vez, foi abraçar a crise, e comer o que quisesse, desde que fossem coisas saudáveis. Deixei de comer uma barra enorme de chocolate pra comer uma manga inteira. Ainda é um ataque calórico, mas de calorias boas. Comprei biscoitinhos integrais de cacau (que, bah, são fantásticos!) e uma série de outras guloseimas integrais e frutas e, quer saber? Liberei o consumo.

A primeira semana foi assim, digamos, um deleite, comi que nem uma louca. Agora, ao final da segunda semana, eu já percebi que a coisa diminuiu muito. E o que é melhor: eu estou começando a desejar coisas saudáveis como eu desejava coisas blergh. Tipo ontem, que eu senti desejo por mamão. Oi?! Normalmente eu sentiria desejo por doce de leite, pastel, batata frita...

Acho que isso significa que meu esquema está funcionando. Então decidi contar pras pessoas.

ATENÇÃO: Eu não sou nutricionista nem nada, esse lance é só um relato da minha experiência, depois não vem dizer que leu num blog que tinha que ser assim e que deus assinou embaixo. Humpf!

P.S.: E continuo sem saber escolher imagens direito, essas eu não sei de onde vieram, mas estão ali só pq o post é realmente longo, não me venham com esse papo de "ai, que coisa mais clichê essa saladinha". é, meu mau-humor continua.

domingo, 13 de março de 2011

Típico, mas eu adoro

ETs, bicicletas, explosões, guerra e Spielberg. A misturinha de sempre, mas que eu adoro! A fotografia tá ótima, também.



sábado, 12 de março de 2011

Retomando com gosto

A pessoa não sabe direito o que quer, sabe? Então às vezes vem no blog, às vezes não vem, muda a cara do blog a cada dois posts, faz tudo o que um blog amador merece.

Preciso dizer que essa sou eu?

Então, como o cara tá parado ha um tempão, e como eu já mudei de foco mais de vinte vezes (exagero é meu nome do meio), eu decidi atacar novamente.

Eu criei esse blog pra poder reclamar, e pra avaliar minha sanidade mental ao longo de um demorado processo de recuperação de uma depressão - assumi. Então, recentemente, depois de dezenas de tentativas frustradas, eu resolvi fazer duas coisas que podem me ajudar a melhorar meu humor/vida.

1: exercícios físicos. Comecei com pilates em dezembro, e agora vou coordenar pilates e caminhadas, e em breve adicionarei uma bicicleta em minha rotina. I'll let you know. Pretendo publicar minhas experiências e coisas interessantes sobre meus esportes favoritos. ^^

2: reeducação alimentar. Eu me alimento muito mal. Ou melhor: me alimentava. A partir de hoje, vou trazer para cá dicas e receitas que eu considero saudáveis, num diário de bordo de uma cozinheira iniciante. Sim, pq eu não sei cozinhar lhufas.

Pra começar, vou copiar aqui o texto de um blog que achei pesquisando sobre espinafre no Google, o Priscilla Brenner (o post é de abril do ano passado):

12 alimentos que fazem você mais feliz

Banana contra a ansiedade
Se você anda mais ansiosa que o normal, aposte na banana para elevar os níveis de serotonina. Quando os níveis desse neurotransmissor estão baixos, falha a comunicação entre as células cerebrais. Aí você fica irritada e especialmente ansiosa. A fruta combina doses importantes de triptofano e vitamina B6. Juntas, as duas substâncias se tornam poderosíssimas na produção de serotonina.

Quanto consumir: duas bananas por dia.

Mel é pura alegria
Triste sem motivo? De novo a causa pode ser serotonina de menos. Nesse caso, o mel funciona como um calmante natural, pois aumenta a eficiência da serotonina no cérebro. Mas não é só aí que ele atua. Quando alcança o intestino, ajuda a regenerar a microflora intestinal. Resultado: o ambiente se torna mais propício para a produção de serotonina. Surpresa? Pois é, cerca de 90% do neurotransmissor do bom humor é produzido no intestino.

Quanto consumir: uma colher (sopa) por dia.

Abacate, garante uma boa noite de sono
Ok, ele tem gordura, mas é a boa. E oferece vitaminas que ajudam você a se entender melhor com o travesseiro. A B3 equilibra os hormônios que regulam as substâncias químicas cerebrais responsáveis pelo sono. Já o ácido fólico funciona como se fosse uma enzima, alimentando os neurotransmissores que fazem você dormir bem.

Quanto consumir: meio abacate pequeno, de três a quatro vezes por semana.

Tofu manda embora o desânimo
O queijo de soja tem o dobro de proteínas do feijão e uma dose boa de cálcio. Também é rico em magnésio (evita o enfraquecimento das enzimas que participam da produção de energia) e ferro (combate a anemia). Quando esses minerais estão em baixa no organismo, você se sente fraca e sem ânimo. Mas é a colina, substância que protege a membrana das células cerebrais, que dá ao tofu o poder de acabar com o cansaço mental.

Quanto consumir: uma fatia média por dia.

Lentilha afasta o medo
Angústia e medo podem estar relacionados ao desequilíbrio de cálcio e magnésio. Essa dupla atua no balanceamento das sensações. Além de incluir alimentos com cálcio (queijo, iogurte) e magnésio (acelga) na dieta, experimente comer mais lentilha. Ela tem efeito ansiolítico, ou seja, tranqüiliza e conforta. Isso porque é precursora do gaba, neurotransmissor que também interfere nos sentimentos.

Quanto consumir: três conchas pequenas por semana.

Chá verde espanta o stress
Essa erva, a Camellia sinensis, tem fitoquímicos (polifenóis e catequinas) capazes de neutralizar as substâncias oxidantes presentes no organismo que, em excesso, deixam você cansada e estressada. Pior: elas desorganizam o funcionamento do organismo. O stress é capaz de desencadear a síndrome metabólica, culpada por doenças como a obesidade e a depressão. Beber chá verde, afirmam vários estudos, também melhora a digestão e deixa a mente alerta.

Quanto consumir: de quatro a seis xícaras (chá) por dia.

Nozes mantêm você concentrada
São muitos os nutrientes das nozes. Mas é a vitamina B1 a responsável por essa fruta oleaginosa melhorar a concentração, evitando que você viaje no meio de uma palestra e perca a parte mais importante. Elas têm vitamina B1, que imita a acetilcolina, neurotransmissor envolvido em funções cerebrais relacionadas à memória.

Quanto consumir: duas nozes, quatro vezes por semana.

Clorela controla a preocupação
Antes de sair de casa, você checa várias vezes se desligou a cafeteira? Comportamento obsessivo pode ser sinal de que as células do organismo estão desvitalizadas. A alga clorela funciona como um poderosíssimo reparador celular, melhorando as funções fisiológicas e o sistema imunológico. E mais: contém uma arsenal de vitaminas (B3, B6, B12 e E), minerais (cálcio, magnésio e fósforo) e aminoácidos (triptofano) que ajudam a estabilizar os circuitos nervosos, acabando com a aflição e aumentando a sensação de conforto.

Quanto consumir: de dois a quatro gramas por dia. O número de cápsulas diárias depende da marca escolhida (vendidas em casas de produtos naturais).

Óleo de linhaça dribla o apetite voraz
O óleo extraído da semente de linhaça e prensado a frio é uma fonte vegetal riquíssima em gordura ômega 3, 6 e 9. Melhor: é um dos poucos alimentos com ômega numa proporção próxima ao ideal, o que é imprescindível para que exerça suas funções benéficas. Uma delas é regular os hormônios que ajudam a manter o sistema nervoso saudável. Com isso, a ansiedade perde espaço e a compulsão a comida fica bem menor.

Quanto consumir: uma colher (sobremesa) por dia, antes das refeições principais.

Gérmen de trigo acaba com a irritação
Assim como as nozes, o gérmen de trigo tem vitamina B1 e inositol, que reforçam a concentração. Mas por ter uma boa dose de vitamina B5, o gérmen é especialmente indicado como calmante, já que melhora a qualidade dos impulsos nervosos, evitando nervosismo e irritabilidade.
Quanto consumir: duas colheres (chá) por dia.

Brócolis deixam a mente esperta
É comum você demorar alguns segundos para lembrar o número do seu telefone? Está faltando brócolis na sua vida. Esse alimento, rico em ácido fólico, acelera o processamento de informação nas células do cérebro. De quebra, melhora a memória. Porções extras dessa verdura vai fazer você lembrar de tudo rapidinho.
Quanto consumir: um pires por dia.

Fonte: Revista Boa Forma – site – Abril/2010

domingo, 26 de setembro de 2010

Meu gato

meu gato tinha duas opções:

de um lado, um pedaço de costela num molho fantástico que um dia eu vou aprender a fazer, num pratinho separado especialmente para ele;
de outro, feijão. no meu prato.

ele ficou com o feijão.
ele desafia o status-quo.

domingo, 8 de agosto de 2010

Solidão...

... é um domingo,

dezenas de fotos não tiradas
ou talvez apenas uma lista de gtalk
de onde também nada se tira.

Solidão:
amigos de facebook
fazendas de bits
três episódios de uma série
e um filme longa-metragem intercalados por Hot Cracker sabor pizza.

Um ímpeto de se jogar na rua
mas não ter aonde ir.

Uma idéia genial,
mas falar em voz alta pra quê?
E, então, esquecê-la.

Vergonha de ir até a geladeira e pegar uma long-neck.
Permanecer sóbria, e só.